Numa tarde dessas, num agosto qualquer, em mais um inverno. Na vitrola tocava uma música calma, talvez um blues de 70s, um clima que ostentava a mesmice; eu sentada na mesa da cozinha com um vinho e uma taça quase vazia em mãos, olhando para a janela, olhando para o tempo.
O céu estava cinza, árvores balançando, pelo vento, ironicamente pareciam estar em compasso com a música, eu poderia colocar a culpa no vinho, que a pouco mais de uma hora já havia sido consumido mais da metade. Tudo como sempre inspirava estabilidade, e eu poderia afirmar, com certeza poderia, que não haveria cenário melhor para expressar nostalgia, do bolso puxei um cigarro, o qual acendi com meu velho isqueiro madeirado , ainda assim concentrado no nada.
Me ajeitei na cadeira de forma confortável e recostei a cabeça na fria parede, soltei a fumaça com calma, quase parando, já havia um bom tempo que você havia saído pela porta da sala, e mesmo sabendo que não voltará, eu a deixo destrancada na esperança de que um dia você volte, mesmo que pra compartilhar uma última garrafa de vinho, uma última dança, um último adeus.

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